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ANDANÇAS, PAUSAS, RESPIROS: aquilo que sou em pulso único, aguardando o próximo pulsar

  • Foto do escritor: Ingrid Silva
    Ingrid Silva
  • 21 de fev. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de mar. de 2024



Tal qual na música, na imagem e no som, fizeram de mim um espaço de armazenamento de informações, me sinto mesmo uma biblioteca, um lugar onde tudo está, mesmo que não consiga acessar tudo, mesmo que não queira. Talvez seja esse o poder do Heremita, a consciência do que se é e a vontade de apenas estar presente. A vontade de ser anciã, criança solar, pessoa entre as crenças do que me fez mulher, um corpo mais simples que isso e que só é, o que me equilibra quando me refaço no caos, aquela que é intima de meu coração. Sensibilidade, é essa a palavra, não sou feita de informações como acreditei previamente, mas de sensores, de sensibilidades, de inteireza. Sou feita desse corpo preto, aqui intimo demais da cor de minha pele e de meus cabelos, sou minha própria sorte, o rio, o mar, a embarcação, sou tudo aquilo que o sol pode tocar, toda e cada rua, toda e cada camada descamada para que se possa ver. Sou a luz que toca as sombras, o poder que se faz presente, sou o que você pode conhecer de mais potente, sou um corpo do qual só dá conta a água e a poesia, uma pessoa emprestada nesse espaço onde tentam comprar nossas horas, nossa calma, o nosso coração. Alguém que não se pode comprar, alguém que procura pela palavra amar, que age em direção do movimento que se faz até de pausa. Sou um ser vagando a tempos em busca de mim mesma, um ser que se encontra onde quer que o sol encontre o mar, onde quer que a arte encontre espaço para se fazer manifesta. Sou um corpo no mundo, um corpo fundado e fundamentado em outro continente, um corpo desperto em meio a buscas por ouro na america latina. Eu sou o Heremita, o Sol e a Lua, eu sou o poder infinito que habita o corpo de cada ser, ainda assim, sou só o que posso ser, a bone black woman, uma mulher de estruturas enegrecidas, de corpo fundado pela escuridão, uma supernova que atravessa o tempo, uma pessoa que conhece a própria história, e que pra além de todas as possibilidades configuradas pela imaginação, por aquilo que é antes mesmo de lembrar o próprio nome, é só uma mulher de 1,54 de altura, com olhos e cabelos escuros tal qual a própria pele, de registros e números cadastrados em cartórios, feita de alguns bons e outros maus hábitos, algumas doses de experiências que me permitem saber que: sou um corpo em sua plena juventude humana, um corpo que sente afeto, que busca desindentificar-se da dor, que vive e experiência o mundo. Sou um corpo atlântico, sempre navegante, sempre feito de mar, de amar, de mata, de frio e calor, sempre em busca de descanso.

 
 
 

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