o afeto que habito
- Ingrid Silva
- 22 de fev. de 2024
- 2 min de leitura

Foi o que li em uma Newsletter, o amor como hábito, o amor como o hábito de perguntar ao outro como é que foi o dia, de perguntar sobre como estão as coisas. O amor como algo que deve ser colocado na agenda, que deve ser tirado das inúmeras falhas tentativas de encontros, pois agora é posto como prioridade. O afeto e o tempo, o tempo reservado aos afetos. Penso muito sobre isso.
Sinto muito os efeitos colaterais de quando não vejo o tempo, a energia e as vontades sendo guiadas a preencher espaços onde o afeto se faça presença. Sinto todas as teorias sobre o toque que traz segurança, o regular do sistema nervoso em entrelaçamento de braços, sinto e faço por onde encontrar caminho. Foi isso que me disseram esses dias, "a vida faz caminho", mas será que estamos aptos a andar? Será que nos mantemos de pé? Será?
Espero tornar a ver o afeto como hábito, espero habitar apenas onde o afeto seja casa, onde a vida se mostre fazendo caminhos que estamos dispostos a andar, espero ver o amor ser fácil como o hábito de abrir um livro, de ler mais do que algumas páginas por dia, espero ver a gente dizendo que tempo é qualidade de estadia em cada um de nossos afetos. Espero.
Espero que a esperança dê conta do esperar, que a ação não se faça pouca, que o movimento se faça lento, mas se faça. Espero ser terra onde o amor prospera, espero encontrar e ser observadora de meus próprios encontros, espero vivenciar com paciência cada e qualquer momento, espero que a vida seja generosa e o afeto conte com a nossa disciplina, espero que a vida seja feita do melhor dos hábitos, o de ser amada, o de ser preenchida de afeto, o de ver as relações se tornarem entrelaçamentos, algo além de trabalho, espaço aberto de verdade, transparência e vulnerabilidade, algo mais parecido mesmo com a natureza do afeto.



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