os dias que começo a viver em mim, uma carta de amor ao passado
- Ingrid Silva
- 19 de fev. de 2024
- 2 min de leitura
Escrevo sentada em uma cadeira, digo isso para que saiba que eu não estava em pé ou deitada na cama como de costume nas horas que os textos me cruzam a cabeça. Tenho aqui a intenção de escrever para mim, mesmo que seja só nesse primeiro momento, e logo me lembro da necessidade de não negar as conexões, quero escrever para os novos momentos, quero uma escrita despreocupada, quero escrever para o momento atual.
E é claro que volto a aquela rede cheia de ruídos e imagens que me consomem a cabeça quando ela já está girando, a que me tira do eixo se não souber usar, a qual tenho pouca ou nenhuma disciplina para usar.

Estou cansada, é esse o relato que daria ao passado, estou em um momento de exaustão relacional, em um momento onde o meu coração e a minha cabeça me pedem descanso, dos maus amores, dos maus costumes, das más manias de querer apressar a vida, a minha principalmente.
Hoje, encerrei algo muito especial, a mania de achar que não vai dar certo, a mania de esquecer que a adolescência bem como a infância, vive e triunfa dentro de mim, pedindo por hábitos mais amorosos, por devorar livros de ficção sem a culpa de não estar prestando atenção nos mundos externos, sem a preocupação de fazer algo que não estar presente e crescentemente ancorada na vontade de saber qual o próximo capítulo, lendo tão ferozmente quanto afetuosamente cada linha do agora para que o futuro se faça cheio de felicidades, cheio de momentos aceitos da forma que vem.
As alegrias da vida adulta são meio doidas comparadas com a de todos os outros períodos, me encanto com tão pouco, me desespero quase que com a mesma facilidade, vivo pensando, criando coisas boas demais para continuar acreditando e transformando o cansaço em linguagem de esperança com um bom banho de um sabonete que encha a casa de um cheiro gostoso, uma boa vela acesa que traga a presença de meus ancestrais e firmeza, um pouco do cheiro de um banho de erva qualquer, mas sempre bem preparado.
Tenho vivido ancorada na simplicidade, ela me balança de um lado pro outro, pra lá e pra cá, me dá vontade de ficar aqui por muito tempo, de entender a beleza do que é agora poder recomeçar. FInalizo, começo, recomeço, estou cansada mas os últimos dias me trouxeram o sentido da gentileza, da força, da coragem e do amor imenso que sentem por mim meus ancestrais, do amor imenso que experiencio tendo bons amigues. Acho que é isso, vejo o que era uma carta perder completamente o formato, ainda assim, escrevo pois enquanto faço me preencho de bem estar, me sinto respirando apesar dos medos, me sinto muito mais cheia de amor e coragem.



Comentários